🌸 *ENFIM… A FELICIDADE ME DESPERTOU*


🌸 *ENFIM… A FELICIDADE ME DESPERTOU*

Entrei na **Cafeteria Centelha Divina** como quem busca abrigo de uma tempestade invisível. O sino da porta soou como um pequeno feitiço, e o ar se encheu de perfumes: café moído, baunilha, chocolate derretendo. Cada aroma parecia me chamar pelo nome, como se dissesse: *fica, respira, repousa*.

As luzes eram suaves, douradas, e os doces no balcĂŁo brilhavam como joias guardadas em vidro. NĂŁo eram apenas sobremesas — eram elixires, promessas de cura escondidas em açúcar e afeto.

Sentei-me, e o Mestre já estava ali. Seus olhos tinham a calma de quem conhece o peso das ausĂŞncias. NĂŁo perguntou nada, apenas deixou o silĂŞncio trabalhar. Depois, com voz baixa, disse:  
— “O coração nĂŁo precisa se violentar tentando ser forte o tempo todo. Ă€s vezes, basta permitir-se sentir.”  

As palavras caíram dentro de mim como gotas quentes de mel. E então, sem que eu pedisse, o café chegou. A fumaça subia em espirais, como se fosse incenso. O primeiro gole foi amargo, mas logo o doce que acompanhava dissolveu a dor. Era como se cada sabor fosse um feitiço: o café despertava, o doce afagava, e juntos me lembravam que eu ainda estava viva.

Nesse instante, alguĂ©m entrou em **presença absoluta**. NĂŁo trouxe discursos, trouxe uma pĂ©rola:  
— “A felicidade nĂŁo precisa ser buscada. Ela já mora em vocĂŞ, esperando ser lembrada.”  

Foi como se uma janela se abrisse dentro de mim. O peso nĂŁo desapareceu, mas se tornou leve o bastante para ser carregado. O mundo lá fora continuava o mesmo, mas eu já nĂŁo era a mesma.  

**Enfim… a felicidade me despertou.**  
NĂŁo como euforia, mas como magia discreta: o cheiro do cafĂ©, o brilho dos doces, o conselho no tempo certo. Um despertar que nĂŁo grita, apenas suspira — e nesse suspiro, eu me reconheci inteira.


 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

**O Julgamento do Amor: Uma Sexta-feira na Cafeteria Centelha Divina**

Fábula: A Xícara Rachada e o Café Perfumado