Autocuidado sensorial como refúgio
Era um dia chuvoso.
O céu carregado, os trovões ao longe, e a casa cheia de pequenas urgências que nunca acabam.
No meio desse turbilhão silencioso, uma garota decidiu parar por um instante.
Não para alguém. Para si.
Na cozinha, misturou chocolate meio amargo, 50% cacau, leite condensado e leite em pó.
Mexeu devagar, até tudo virar uma pasta espessa, aveludada, intensa.
Provou.
E sorriu por dentro.
Depois, aqueceu o leite.
O vapor subiu, ocupando o ar como um abraço quente em dia frio.
Quando o leite começou a ferver, ela acrescentou a pastinha, observando o chocolate se dissolver aos poucos, encorpando o líquido, transformando o simples em algo profundo.
O sabor era denso, cremoso, reconfortante.
Não era só uma bebida.
Era pausa. Era cuidado. Era presença.
Amor próprio, às vezes, não é grandioso.
É silencioso.
É continuar mesmo rasgada por dentro, mas escolher um gesto pequeno que aquece.
É permitir que o corpo respire enquanto o mundo lá fora troveja.
E naquele gole quente, entre o som da chuva e o cheiro do chocolate, algo se ajeitou por dentro.
Sem pressa.
Sem espetáculo.
Apenas o suficiente para seguir.

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